
Se existe um texto que eu poderia considerar a epígrafe, sei lá, o epitáfio da minha existência, seria este do Pessoa. Coloquei aqui a versão que a Sueli Costa musicou para Bethância cantar em Imitação da Vida, disco-homenagem da cantora ao seu poeta preferido. Segundo Bethânia, este disco gravado ao vivo (eu assiti no antigo Palace) deveria correr como um rio, sem interrupções graves, com fluência, leveza, alegria. Para quem quiser escutar, é um disco obrigatório, de arrepiar a alma.
Ela consegue emendar este trecho do Pessoa,
Eu agi sempre/Eu agi sempre para dentro/Eu nunca toquei na vida/Nunca soube como se amava/Apenas soube como se sonhava amar/Se eu gostava de usar anéis de dama nos meus dedos, é que às vezes eu queria julgar que as minhas mãos eram de princesa./Gostava de ver a minha face refletida,/Porque podia sonhar que era a face de outra criatura.
com Teresinha (O primeiro me chegou / Como quem vem do florista / Trouxe um bicho de pelúcia / Trouxe um broche de ametista) , do Chico Buarque, como se fosse uma música só.
Esta é uma poesia-horizonte, ajuda a enxergar a vida com uma lucidez que não consigo ter (sozinha).
Segue o teu destino
Rega as tuas plantas
Ama as tuas rosas
O resto é a sombra
De árvores alheias
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios.
Suave é viver só
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses
Vê de longe a vida
Nunca a interrogues
A resposta está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração
Os deuses são deuses
Porque não se pensam

1 Comments:
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