Julho 21, 2006

A Queda de Camus (apenas um trecho aberto à esmo)













Eu ia começar a falar sobre o parágrafo inaugural do Mito de Sísifo do Camus (Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: é o suicídio. Jugar se a vida merece ou não ser vivida, é responder a uma questão fundamental da filosofia). Poderia traçar um paralelo com os harakiris e os seppukus da vida... quando abro outro livro dele (A Queda) na página 15 e vejo uma literatura tão pungente que me faz mudar de rota, pelo menos por enquanto.
Transcrevo abaixo a belíssima passagem e assim poupo a todos do meu estado de precipício. Não é necessário saber do que se trata a história para notar, nessas poucas palavras, como o cara era bom; e, nesse momento até me coça os cotovelos de inveja. É dessa forma que termina o primeiro capítulo do penúltimo romance do Camus (La Chute, no original) que morreu em 1960, aos 47 anos.

De duas uma, ou o senhor o segue, para retirá-lo e no tempo de frio arrisca-se ao pior, ou o abandona, e os mergulhos retidos deixam, às vezes estranhas cãibras. Boa noite! Como? Estas mulheres, por detrás das vitrines? O sonho, meu caro senhor, o sonho a baixo custo, a viagem às Índias! Estas pessoas perfumando-se com especiarias. Entra-se, elas fecham as cortinas e a navegação começa. Os deuses descem sobre os corpos nus e as ilhas vão à deriva , dementes, encimadas por uma cabeleira desgrenhada de palmeiras ao vento. Experimente.


1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

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13:48  

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