
A improvável mulher com desejo de se tornar alguém 100% depois de tanto trabalhar.
Ou
Uma maneira diferente de curtir o tempo livre da aposentadoria.
Ou
Natália – uma mulher off-standart.
Já sei o que vou querer fazer quando me aposentar. A idéia é bem simples. Simplesmente oposta a tudo o que já fiz. Quero ser puta. Dar a boceta e ganhar pra isso. Sempre tive uma admiração secreta por elas. Acho fascinante a maneira como elas se posicionam nas ruas, com aquele ar de senhoras de si que só as pessoas que possuem seus próprios corpos têm. Dar E receber. É a coisa mais perfeita que Deus já concebeu. Aprendi na faculdade que tem diversas maneiras de se relacionar com o mundo. Uma delas é a primeiridade. Ela trata somente do corpo. As máquinas são secundidade. Saca? Eu quero viver na primeiridade. Ganhar o mundo com o que tenho de primeiro, de primordial, intransferível.
Essa será a única maneira de eu ser absoluta e única dona de mim. É o único jeito que encontrei pra me libertar.
Quero chupar toda espécie de paus e xoxotas, de todas as cores, cheiros e formatos; quero abrir minhas pernas e estar ciente de que o mundo me pertence, que todas as línguas me chupem e eu conheça todos os países de todos os povos e nações. O mundo me contém e o meu corpo é o universo - o meu corpo. O mundo estará revestido das minhas células. Distribuirei meu néctar profundo com o máximo de desconhecidos que eu conseguir. Essa será a melhor maneira de perpetuar minha história. Ao invés de marcar minha existência cortando meus pulsos e deixando uma carta bombástica de despedida, vou simplesmente me derramar, deixando um gostinho geral de gozo na boca.
Tudo em suspensão, como se num orgasmo – com a sensação eterna do regozijo. Uma verdadeira hedonista.
Não terei família, nem amigos, nem colegas, nem conhecidos, nem mestres, nem gurus. A estrela brilhará sozinha. Pode deixar que eu pago a conta. O cheque tem fundos e submundos. Solta a música e vamos dançar. O segredo está na nuca. Debaixo do redemoinho de cabelos da minha traseira. Plim. Código aceito. Faço análise da íris, prevejo o futuro, meu bem. É! Mas não conto. Faço charminho. Pego a sua mão e acompanho as linhas atentamente. Não digo nada. O meu passado me condena. Mas agora eu sou funcionária púbica. Antes o L da palavra fodia comigo. Agora sou livre, pública.
Começo até a entender as relações de trabalho, sabe. No fundo, todo mundo quer só foder. Mas como não podem foder literalmente, o tempo todo, com todos, eles fodem de outro jeito, na porra do cotidiano, o chefe fode o subalterno, o subalterno fode o chefe. Uma fodeção só. E todo mundo sai triste.
Falta pouco pra eu me aposentar. Precisei me dedicar somente 35 anos da minha vida pra poder fazer o que realmente queria. Desde menina eu sou fascinada pelas putas. Imagina quanto tempo esperei por isso! As putas são as heroínas da sociedade. Sempre achei isso. Não li em nenhum lugar, não, apesar da frase parecer ter chegado feita. Não sou muito inteligente, mas tenho umas sacadas. A de ser puta foi a melhor que eu já tive. Uma puta sacada. Uma sacada pra se jogar e não ter ninguém embaixo pra segurar. A sacada do qüinquagésimo nono andar. Um mergulho no vazio do universo. Das coisas recônditas. HÁ! Assustei todo mundo! Bando de otários. Adoro quando os cariocas falam OTÁREO.
Ser puta pra mim é como dançar valsa. Sozinha. Suzinha, como diria uma amiga. Sempre adorei dançar valsa. Estico meus braços e dou voltas e voltas imaginando que estou no colo de Deus. Nunca gostei de dançar acompanhada. Fico irritada com a outra pessoa querendo me conduzir. Pra mim é 3 pra lá, 5 pra cá, ou X pra lá Y pra cá. Esse negócio de 2 a 2 não é comigo. Eu gosto dos números ímpares. Por isso fui trabalhar na contabilidade. Eu e os números somos assim Ó.
Bom, o fato é que terei a aposentadoria dos meus sonhos. Poucos podem ter esse privilégio. É, devo confessar.
Essa será a única maneira de eu ser absoluta e única dona de mim. É o único jeito que encontrei pra me libertar.
Quero chupar toda espécie de paus e xoxotas, de todas as cores, cheiros e formatos; quero abrir minhas pernas e estar ciente de que o mundo me pertence, que todas as línguas me chupem e eu conheça todos os países de todos os povos e nações. O mundo me contém e o meu corpo é o universo - o meu corpo. O mundo estará revestido das minhas células. Distribuirei meu néctar profundo com o máximo de desconhecidos que eu conseguir. Essa será a melhor maneira de perpetuar minha história. Ao invés de marcar minha existência cortando meus pulsos e deixando uma carta bombástica de despedida, vou simplesmente me derramar, deixando um gostinho geral de gozo na boca.
Tudo em suspensão, como se num orgasmo – com a sensação eterna do regozijo. Uma verdadeira hedonista.
Não terei família, nem amigos, nem colegas, nem conhecidos, nem mestres, nem gurus. A estrela brilhará sozinha. Pode deixar que eu pago a conta. O cheque tem fundos e submundos. Solta a música e vamos dançar. O segredo está na nuca. Debaixo do redemoinho de cabelos da minha traseira. Plim. Código aceito. Faço análise da íris, prevejo o futuro, meu bem. É! Mas não conto. Faço charminho. Pego a sua mão e acompanho as linhas atentamente. Não digo nada. O meu passado me condena. Mas agora eu sou funcionária púbica. Antes o L da palavra fodia comigo. Agora sou livre, pública.
Começo até a entender as relações de trabalho, sabe. No fundo, todo mundo quer só foder. Mas como não podem foder literalmente, o tempo todo, com todos, eles fodem de outro jeito, na porra do cotidiano, o chefe fode o subalterno, o subalterno fode o chefe. Uma fodeção só. E todo mundo sai triste.
Falta pouco pra eu me aposentar. Precisei me dedicar somente 35 anos da minha vida pra poder fazer o que realmente queria. Desde menina eu sou fascinada pelas putas. Imagina quanto tempo esperei por isso! As putas são as heroínas da sociedade. Sempre achei isso. Não li em nenhum lugar, não, apesar da frase parecer ter chegado feita. Não sou muito inteligente, mas tenho umas sacadas. A de ser puta foi a melhor que eu já tive. Uma puta sacada. Uma sacada pra se jogar e não ter ninguém embaixo pra segurar. A sacada do qüinquagésimo nono andar. Um mergulho no vazio do universo. Das coisas recônditas. HÁ! Assustei todo mundo! Bando de otários. Adoro quando os cariocas falam OTÁREO.
Ser puta pra mim é como dançar valsa. Sozinha. Suzinha, como diria uma amiga. Sempre adorei dançar valsa. Estico meus braços e dou voltas e voltas imaginando que estou no colo de Deus. Nunca gostei de dançar acompanhada. Fico irritada com a outra pessoa querendo me conduzir. Pra mim é 3 pra lá, 5 pra cá, ou X pra lá Y pra cá. Esse negócio de 2 a 2 não é comigo. Eu gosto dos números ímpares. Por isso fui trabalhar na contabilidade. Eu e os números somos assim Ó.
Bom, o fato é que terei a aposentadoria dos meus sonhos. Poucos podem ter esse privilégio. É, devo confessar.

4 Comments:
Ola minha irmazinha querida, agora te peguei de surpreza, li todo seu texto e adorei e deixei até um comments ,li gostei e recomendo !!!!
Parabens!!!!!! Troppo bonno !!!!
Sehr gut !!!!!
Super !!!!!!
Beijao
saudade do meu irmão...
Puta caridade!
O mundo ficaria melhor ou talvez, pior?!!!
A primeira não era mercenária. Fazia o que fazia por um dom, por uma graça, quase por uma destinação poética...
(N. Rodrigues)
P.C: só não beije na boca!!!
Achei o texto Do caraio, ou melhor, Dá boceta.
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