
Fico emputecida quando as pessoas não respeitam a minha vida. Tudo bem que moro numa caverna, mas e daí? Outro dia vieram aqui uns grafiteiros curiosos. Acho que eles estavam querendo pintar as paredes. Mas ... pô, a parede é o meu quarto! Imagina você está na sua casa e entram uns manos artistas querendo embelezar teu espaço. Fiz treta com os velhos e eles entenderam. Vi outro dia que tem uns grafiteiros que tão famosos. Passei na frente da banca de jornal. O jornalero não vai com a minha cara porque eu espanto a freguesia dele, mas eu gosto de saber as novidades, ver os homens bonitos nas capas de revista. Eu falo um pouco sozinha, às vezes brigo com os meus companheiros. É engraçada a reação das meninas de família. Elas ficam com um olhar aterrorizado quando treto com o Soldadinho. Ele é o diabo, vixe! A gente se pega de corpo e alma. Não tem pra ninguém! Tem vezes que não saio de casa. Fico aqui na galeria batendo siririca e tomando pinga. Eu mesma dei o nome, Malabar. É bonito, não? Tem a ver com o meu passado, mas isso eu conto outra hora.
Eu já desisti dos homens. Como todo mundo, achei que teria um companheiro - não um cachorro, porque isso todo mundo tem - mas um cavalheiro mesmo, que me cobrisse no frio e esquentasse minha comida. Mas não deu e não vou chorar as mágoas. Não sou difícil. Gosto do sorriso das pessoas. Até sorriso desdentado eu acho bonito. Sorriso não é dente assim como olhar não é olho. Aí fica fácil me conquistar. Apesar que eu sou meio seletiva com as pessoas. Não é qualquer um que vai entrando na minha vida. Tem que ter balanço. Tem que ter ginga.
O Soldadinho me protege. Ele fica gritando na minha cabeça: BOTA PRA FORA BOTA PRA FORA. E fica xingando todo mundo de desgraçado. O problema é que só eu ouço. Aí eu fico louca da vida, mando ele calar a maldita boca e quando vejo tô sozinha de novo. Todo mundo sai correndo. Até ladrão sai correndo de mim. Eu sou o diabo. Meu sangue é fervido. Eu vivo de tudo. Não tenho necessidade de nada. Sou amiga dos ratos e das paredes.
Eu já desisti dos homens. Como todo mundo, achei que teria um companheiro - não um cachorro, porque isso todo mundo tem - mas um cavalheiro mesmo, que me cobrisse no frio e esquentasse minha comida. Mas não deu e não vou chorar as mágoas. Não sou difícil. Gosto do sorriso das pessoas. Até sorriso desdentado eu acho bonito. Sorriso não é dente assim como olhar não é olho. Aí fica fácil me conquistar. Apesar que eu sou meio seletiva com as pessoas. Não é qualquer um que vai entrando na minha vida. Tem que ter balanço. Tem que ter ginga.
O Soldadinho me protege. Ele fica gritando na minha cabeça: BOTA PRA FORA BOTA PRA FORA. E fica xingando todo mundo de desgraçado. O problema é que só eu ouço. Aí eu fico louca da vida, mando ele calar a maldita boca e quando vejo tô sozinha de novo. Todo mundo sai correndo. Até ladrão sai correndo de mim. Eu sou o diabo. Meu sangue é fervido. Eu vivo de tudo. Não tenho necessidade de nada. Sou amiga dos ratos e das paredes.

1 Comments:
Li e quase consegui interpretar! Mas tudo bem... o que seria da poesia se não tivesse um pouco de "ambiguidade metafórica"!
Passei aqui para que vc tenha um recadinho MEU de ano novo! (só para registar)
Ah, outra coisa, os Druques vão tocar sábado às 8 da noite, depois do show vou visitar vocês!
beijo
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